quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Escrevo um poema na madrugada
Dou voltas e voltas no escuro
Tentando achar achar um modo de estar onde tu não estejas.
Para qualquer lado que me vire, mesmo no escuro
Só te vejo a ti e à tua ausência
Só tenho paz do teu lado da cama
O lado frio é agora o lado mais quente.
É onde adormeço na forma do teu corpo
É onde sonho com as tuas mãos quentes e ásperas
Passarem por entre os fios do meu cabelo.
A manhã volta e os meus olhos abertos e molhados
Não vêem mais que o escuro e a dor da noite.
À noite tudo é mais triste, tudo dói mais, tudo me faz acordar
À noite tu estás mais longe
À noite não domino as palavras 
À noite dói-me o peito
À noite choro e perco a força
À noite amo-te mais.

19/02/2013
Rita Morais

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013


Eu sou o vento que bate na tua janela
A sombra que atravessa o teu olhar
A presença no canto do quarto
A respiração ao teu ouvido
O toque na tua pele.
Sou eu a porta aberta
O primeiro raio de sol que toca os teus cabelos
O barulho dos teus passos
O ranger dos degraus da escada.
Estou no cheiro das flores do teu jardim
No teu perfume, nos teus lençóis
No leito do rio, nas pedras, no chão
No fim do caminho.
Estou em tudo o que é teu.
Tudo o que eu quero chamar de meu.
Estou na lágrima que beija os teus lábios
Estou no grito e na voz.
Estou em ti e estou em mim.
Mas eu só queria estar em nós.

05/02/2013

Rita Morais