quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

"Escolha"

É difícil escolher entre a realidade e a fantasia

Na fantasia podemos fazer o que quisermos

Ser quem desejarmos

Viver como somos mais felizes.

A realidade é a realidade

E o que é real não pode ser mudado

Somos quem somos

Fazemos o que temos de fazer

E vivemos como podemos

Não como queremos.

Umas vezes sorrimos

Outras vezes a dor vai para além do suportável.

Na fantasia construímos a perfeição

Onde só há lugar para sorrir.

Fantasiar não é mais do que sonhar

O mais alto que a imaginação conseguir

Alcançar patamares inalcançáveis

Tornar possível o impossível.

Viver é fácil

Ser feliz durante essa vida, é difícil.

Por isso, por vezes

A fantasia é o melhor refúgio.

É onde temos a certeza de que o sofrimento não nos alcança.

Mas ao mesmo tempo não somos justos para nós próprios

Porque não lutamos para conquistar nada

Nunca nada é verdadeiramente nosso

E talvez assim a vida também não valha a pena.

Por isso é que a escolha é difícil.

(31/12/2009 by Rita Morais)

"Voo"

Escrever sobre coisas que sinto

Sobre coisas que sei que todos sentimos

Faz-me sentir próxima do mundo

Faz-me sentir que não sou a única a viver

E vejo que os outros percebem o que descrevo.

Sinto que dou um pedaço de mim

Sem por isso ficar incompleta.

Descubro coisas dentro de mim que nem sabia que tinha

E apercebo-me de que sei coisas que achava não saber.

Arranco aquilo que está mais no fundo e escondido

Puxo para fora e deixo-o voar.

Nem que seja pelos breves momentos em que mão desenha as palavras.

Vou às nuvens, ao céu, às estrelas

Viajo, divago, voo e sinto.

Trago um pedacinho da lua

Guardo-o na alma

Que é o único sitio onde só está o que quisermos.

Quando acabo volto a puxar para dentro

E fico à espera do momento seguinte para deixar sair

Ser livre de novo

E voltar a voar.

(30/12/2009 by Rita Morais)

domingo, 20 de dezembro de 2009

Este texto foi escrito para a minha mae no seu aniversário. =)

E se o céu vestisse de negro
Sem sol, sem lua, sem estrelas
Só a profunda escuridão
A profunda cegueira
Se a chuva não mais parasse de cair
Como se as nuvens fossem infinitas.
Se deixássemos de ouvir e ver.
Se deixássemos de sentir.
Se vivessemos sozinhos isolados no mundo
Sem um único ruído
Que quebrasse o barulho ensurdecedor do silêncio.
E se nos esquecessemos de como sorrir
Se nos esquecessemos de como amar.
Mergulharíamos numa escuridão sem fundo
De onde não se pode regressar
E contra a qual não se pode combater.
Perderíamos a noção do que é viver.
E a vontade de.
Seríamos um nada
Um vazio sem preenchimento possível.
Pois, quero que saibas
Que eu seria assim
Se não te tivesse aqui.
(12/12/2009 by Rita Morais)